ONU x Mercosul
Em épocas de dizer “não” ao Protocolo de Kyoto alguns países posicionaram-se como neutros ou mesmo favoráveis à decisão pela poluição e degradação global do meio ambiente. Em contrapartida a isso, os países do Sul pensaram alternativas, se mobilizaram e criaram, como sempre fazem, uma maneira de viver em meio ao caos, em meio a preços exorbitantes de petróleo, guerras e muitas mortes em função do mercado da poluição x produção de petróleo.
O fato é que a América do Sul saiu na frente. Criou sua estratégia de sobrevivência com os biocombustíveis. Uma tecnologia barata, de fácil difusão, com produção cognitiva originária do Sul do planeta e fortalecedora de um pacto que há muito vem tentando se livrar de leis de mercado vindas de cima: o nosso Mercosul.
Agora a ONU achou um novo discurso: se produzirmos mais solos preparados para a produção dos biocombustíveis irá faltar terra para a plantação dos alimentos. Parece uma reformulação daquela velha idéia malthusiana: quanto mais gente no planeta, menos comida! Malthus ficaria desempregado no Brasil. Assim como o discurso da ONU não ecoa por aqui. Mas vale a pena ler a frase vinda de lá do norte para nós. Uma mensagem que soa como um aviso: “iremos contra-atacar daqui”.
Leia a matéria do site da UOL em 14/04/2008:
Relator da ONU diz que biocombustíveis são um crime contra a humanidade
BERLIM, 14 Abr 2008 (AFP) – A produção em massa de biocombustíveis representa um crime contra a humanidade por seu impacto nos preços mundiais dos alimentos, declarou nesta segunda-feira o relator especial da ONU para o Direito à Alimentação, o suíço Jean Ziegler, em entrevista a uma rádio alemã. Os críticos dessa tecnologia argumentam que o uso de terras férteis para cultivos destinados a fabricar biocombustíveis reduz as superfícies destinadas aos alimentos e contribui para o aumento dos preços dos mantimentos. Ziegler pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que mude suas políticas sobre os subsídios agrícolas e deixe de apoiar apenas programas destinados à redução da dívida. Para ele, a agricultura também deve ser subsidiada em regiões onde se garanta a sobrevivência das populações locais. O ministro das Relações Exteriores alemão, Peer Steinbrueck, deu seu apoio ao apelo feito pelo FMI e o Banco Mundial neste fim de semana para responder à crise gerada pelo aumento de preços dos alimentos, que está gerando violência e instabilidade política em inúmeros países.
“A Alemanha não fugirá de sua obrigação nesse tema”, afirmou Steinbrueck. O ministro das Relações Exteriores alemão, Peer Steinbrueck, deu seu apoio ao apelo feito pelo FMI e o Banco Mundial neste fim de semana para responder à crise gerada pelo aumento de preços dos alimentos, que está gerando violência e instabilidade política em inúmeros países.
“A produção agrícola com fins alimentares deve ser claramente prioritária”, afirmou o ministro francês da Agricultura, Michel Barnier. A França propôs nesta segunda-feira uma iniciativa européia frente ao aumento de preços das matérias-primas e a crise alimentar que isto provoca, impulsionando um apoio reforçado à agricultura comunitária e uma ajuda maior a este setor nos países pobres.
“Em um mundo em que vai ser necessário produzir mais e melhor para alimentar nove bilhões de habitantes, há necessidade dos esforços de todos e também da Europa”, afirmou o ministro francês da Agricultura, Michel Barnier, ao antecipar as grandes linhas da proposta que deve apresentar a seus colegas da União Européia em Luxemburgo.
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