FSM no Rio de Janeiro
Criado em 2001, como contraponto ao Fórum Econômico Mundial de Davos, o Fórum Social Mundial ganhou uma cara nova em 2008. Até o último ano, quando foi realizado em Nairobi, no Quênia, o Fórum ocorria na forma de um único evento do qual participavam movimentos sociais e pessoas oriundas de todo o mundo. Este ano, foi lançada uma modalidade ‘descentralizada’ (policêntrica) do evento, com realização de cerca de 800 ações em mais de 80 países. De acordo com os organizadores, a idéia é alternar as duas formas do evento, cuja próxima edição, em 2009, será realizado em Belém (PA).
O Rio de Janeiro foi uma das cidades brasileiras que promoveram eventos neste sábado (26/01), o chamado Dia da Mobilização e Ação Global. Oito tendas principais – Idéias, Trocas e Economia Solidária, Alimentação, Conexão Mundial, Audiovisual, Artes Cênicas, Crianças e Ponto de Encontro – foram montadas no Parque do Flamengo, para discutir temas de interesse do Fórum. Também havia tendas menores, nas quais representantes da sociedade civil mundial, abordavam assuntos como educação, questão indígena, sindicalismo e religião, entre outros.
Diversas autoridades de renome nacional e internacional estiveram presentes no movimento Rio Com Vida e participaram, pela manhã, de uma conferência virtual ao vivo com 41 cidades em todo o mundo, entre elas o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi; o teólogo e escritor Leonardo Boff; o diretor teatral Augusto Boal; e o senador Roberto Saturnino Braga (PR-RJ). Cerca de 10 mil pessoas participaram das atividades que começaram às 10 h e se estenderam até às 21h.
A nova revolta da vacina
Em 1904 a revolta da vacina acontecia no Brasil. Uma população inteira contra o poder de polícia do Estado que os obrigava a vacinar-se através da polícia médica, entrando nas casas, retirando as pessoas, vacinando-as enquanto demolia cortiços e prédios em nome do sanitarismo que viria a abrir ruas largas, grandes praças e jardins contra a peste.
Em 2008 os hospitais recebem as pessoas com diagnósticos de “super dosagem”. Ou seja, vacinaram-se duas vezes contra a mesma doença, sendo hoje 31 casos ao total. A super dosagem é hoje a grande preocupação dos hospitais de Roaraima, Rondônia, Pará e Amazonas. Estima-se que 95% da população de Goiás, por exemplo, já tenha sido vacinada – um estado que tem quatro vezes o tamanho de Portugal.
As pessoas são mostradas nos noticiários aos prantos, clamando por vacinas contra a febre amarela após o diagnóstico de sete casos confirmados em todo o país. Já existe uma medida preventiva tomada pela própria população: uma corrida às unidades de saúde para se prevenir antes do carnaval (vacinando-se) visto que o efeito só se torna eficaz após os ditos dez dias.
Não precisamos mais da polícia médica, nem de um novo ditame sanitarista, a população está na rua reivindicando a vacinação pública, gratuita e universal. E que seja antes do carnaval! Quando então o país inteiro ocupa as avenidas, dança nas ruas e comemoram o carnaval fantasiados de mosquitos.
Fórum Social Mundial em Vitória
Programação de atividades de 19 a 26/01/2008
Tema: Produtos Orgânicos
Local: Feira de Produtos Orgânicos de Barro Vermelho – Vitória
Dia 21 de janeiro de 2008 – segunda-feira
A violência contra a mulher urbana e rural: sustentando o capita-lismo e o patriarcado
Fórum de Mulheres do E. S.
Martin Lutero – Vitória
10 às 17 h
Dia 22 de janeiro de 2008 – terça-feira
Tecendo o fio, aparando as arestas: o movimento de mulheres negras e a construção do pensamento feminista na questão racial
Fórum de Mulheres do E. S.
Auditório Sindilimp
14 h
O Processo de adoecimento do(a) trabalhador(a) no contexto atu-al e as medidas preventivas
Sinergia; Sindimetal; Sindi-comerciários; Sintraconst
Sede do Sinergia – Jd. Limoeiro – Serra
17 às 19 h
Permacultura e o homem-ecológico
Davi
Assembléia Legislativa
19 h
Autonomia das mulheres sobre seus corpos: a expropriação mer-cantil do corpo da mulher e a luta pela legalização do aborto
Fórum de Mulheres do E. S.
Auditório Sindilimp
19 h
Dia 23 de janeiro de 2008 – quarta-feira
Questão ambiental no Espírito Santo
Saint Clair
Sindibancários
14 h
Relações de gênero
Elda, AMUS, UBM
Centro de Boa Convivência de Laranjeiras – Serra
16 h
O Passe-Livre que queremos e o projeto governamental
Movimento Passe Livre
Sede do DCE – UFES
18 h
Democratização da Comunicação
Recapes; PCdoB
Auditório do IC-II – UFES
19 h
Dia 24 de janeiro de 2008 – quinta-feira
Os impactos dos projetos de desenvolvimento sobre as mulheres
Fórum de Mulheres do E. S.
Plenarinho Sindibancários
09 às 18h
Descriminalização das drogas
Alyne; Sandro; Viviam
IC-2 – UFES
10 h
O Neozapatismo e a luta pela construção de uma nova forma de fazer política
Alyne; Tom Gil
Sala 10 – IC-3 – UFES
14 h
A Revolução Russa e os 90 anos que abalaram o mundo
PSOL e PSTU
IC-3 – UFES
16 h
Dia 25 de janeiro de 2008 – sexta-feria
Imperialismo na América Latina
Helder; Reinaldo; Roberta
ADUFES – UFES
09 h
A estratégia de expansão das monoculturas e a ameaça à produ-ção de alimentos
Rede Alerta contra o Deserto Verde
ADUFES – UFES
13 h
Unificação das lutas campo-cidade
Via Campesina
ADUFES – UFES
16 h
Dia 26 de janeiro de 2008 – sábado
Marcha Popular do Fórum Social Mundial
Concentração: 9 horas início da Av. Jerônimo Monteiro, Centro de Vitória, Próximo à Casa Porto (antiga Capitania dos Portos)
Encerramento com Ato Políco-Cultural na Praça 8 de Setembro (Vitória)
Via: Coletivo Capixaba de Apoio ao FSM
Brasil quebra a patente de mais um antiretroviral
O governo brasileiro celebra mais um avanço no combate à Aids. Esta semana, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz e a indústria farmoquímica Blanver receberam a avaliação de peritos europeus de que a patente que depositaram, em parceria na Espanha, do anti-retroviral DDI Entérico não infringe direitos de nenhum outro depósito concedido ou depositado no mundo, inclusive no Brasil. Até o fim do ano, o Brasil deve começar a produzir o medicamento, que faz parte do coquetel anti-Aids e que, hoje, custa quase US$ 10 milhões por ano ao governo federal. A maior parte do orçamento do Programa Nacional de DST/Aids é usada na compra de medicamentos. O Ministério da Saúde oferece acesso universal e gratuito ao tratamento da Aids.
O Brasil consome hoje 7 milhões de comprimidos, ao custo unitário de US$ 1,40. Com a produção local, o diretor de Farmanguinhos, Eduardo Costa, estima que o preço caia, progressivamente, à metade. “O registro na Europa é importante, pois permitirá que o medicamento seja exportado”, diz. Atualmente, o coquetel é distribuído a 180 mil pacientes no país. Sérgio Frangioni, da Blanver Química, destaca que serão necessários investimentos no primeiro ano, mas que a redução à metade poderá ser atendida certamente antes do terceiro ano de produção.
Via: Fiocruz
As redes e a saúde pública
Um livro surpreendente foi lançado pela Editora da FGV. O título é “Gestão de redes – a estratégia de regionalização da política de saúde”. O livro traz uma análise teórica consistente que aborda os estudos sobre redes aplicada ao campo da saúde. Algo novo. Nele encontra-se a tradução de textos bons, através da sistematização de Sonia Fleury e Assis Ouverney. O mais interessante é a perspectiva de contextualizar os estudos sobre redes através da interdependência que proporcionam como paradigma de gestão pública.
O livro traz os conceitos claros, de forma explicativa, dando abertura para que o leitor acompanhe o “passo a passo” do amadurecimento dos autores dentro da literatura encontrada. Para os iniciantes nos estudos sobre redes, o livro é “um achado”. Para os veteranos, uma referência.
Governo decide validar diploma de medicina cubano
Com o objetivo de suprir cerca de mil vagas de médicos em comunidades indígenas, quilombolas e do interior do país, o governo decidiu validar os diplomas dos brasileiros que cursaram Medicina em Cuba. A medida faz parte do Termo de Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Cultural e Educacional Brasil-Cuba, assinado hoje pelos dois países, durante visita oficial do presidente Luís Inácio Lula da Silva a Cuba. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e o da Educação, Fernando Haddad, integram a comitiva presidencial.
O Termo de Ajuste, para entrar em vigor, precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional. Após isso, a validação será feita por universidades públicas do País, atendendo a uma antiga reivindicação dos cerca de 160 brasileiros formados na Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), de Havana. Essa instituição oferece bolsas de estudo para graduação a estudantes estrangeiros de baixa renda e membros de minorias culturais. O governo prevê que, até 2010, outros mil brasileiros concluirão o curso de medicina na Elam.
Para um diploma ser validado, deverá haver compatibilidade curricular com os cursos de medicina brasileiros. Quando não houver compatibilidade, o candidato terá que fazer, antes, uma complementação dos estudos, no Brasil, e, depois, se submeter ao Exame Nacional, organizado pelos ministérios da Saúde e Educação, em parceria com universidades públicas brasileiras, entidades representativas e especialistas de notório saber.
“É um importante avanço nas relações entre o Brasil e Cuba, e uma grande conquista para o Sistema Único de Saúde, que hoje tem, entre suas principais prioridades, de preencher os vazios assistenciais no Brasil”, comemorou o ministro José Gomes Temporão.
Faz parte do Termo de Ajuste o Programa de Incentivo do Governo Federal. As universidades públicas do Brasil que aderirem ao programa receberão incentivos financeiros para intercâmbios sobre currículos junto à ELAM, análise de compatibilidade e equivalência curricular, complemento dos estudos e validação dos diplomas de medicina.
Os estudantes brasileiros formados pela Elam são, em sua maioria, vinculados aos movimentos sociais, integrantes de comunidades indígenas, afro-descendentes e quilombolas. Com a possibilidade de validação dos diplomas no Brasil, eles poderão exercer a profissão de médico junto às suas comunidades de origem.
Inicialmente, serão validados apenas os diplomas expedidos em Cuba. Mas o governo brasileiro já estuda como, posteriormente, estabelecer normas em âmbito nacional para reconhecer cursos de medicina feitos por brasileiros em outros países.
Via: ENSP/Fiocruz
Movimentos sociais globais
Interessante o artigo produzido por Hermano Castro e outros autores na revista Ciência e Saúde Coletiva. Os autores fazem uma análise dos movimentos sociais globais e aplicam esta análise ao caso da saúde. Quem estiver com interesse pela temática pode ainda consultar no site do Scielo os artigos produzidos por outros autores comentando o primeiro. O artigo se denomina “A globalização dos movimentos sociais: resposta social à globalização corporativa neoliberal” – uma excelente discussão para pesquisadores e curiosos sobre os novos movimentos sociais.
Para ver o artigo aqui
Feliz 2000 e 8!!!
Olá pessoas!
Feliz 2008 a todos que acompanham o Diário de Campo, assistentes sociais ou não!!! Antigos desejos e novos sonhos, mas muitas felicidades sempre!
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