Saída à francesa
A “civilização” européia tem surpreendido a muitos com seus métodos de análise sobre as questões sociais. No dia 21 de agosto a França se escandalizou com a atitude de um médico que deu viagra a um pedófilo que acabara de cumprir sua pena e saia da cadeia. Após a atitude do “bondoso” médico, o paciente atacou mais uma criança ao sair da prisão. O fato, de tão bizarro, chegou ao presidente da república que tratou de dar soluções rápidas e enérgicas ao caso. A França deu suas alternativas através do “método Sarkozy”:
1) Construção de um hospital psiquiátrico especializado para pedófilos na cidade de Lyon, com data prevista de entrega para 2009.
2) A pena cumprida pelo paciente não determinaria a conclusão do caso, em se tratando de um pedófilo. O encerramento do processo de cumprimento da pena só aconteceria judicialmente após o parecer de um médico.
3) Se o paciente “aceitar” o tratamento poderá dar continuidade ao seu período de liberdade e não precisará ficar em Lyon; desde que use um rastreador eletrônico que mostre as atitudes do usuário durante o tratamento “em liberdade”.
4) Por fim, o presidente francês defendeu a castração química para pessoas que praticarem crimes de natureza sexuais.
Pois bem. O que é a castração química? É a administração médica através de medicamentos hormonais que inibem o desejo sexual de pessoas que cometem crimes sexuais (algo que já funciona em alguns países). A solução de Sarkozy é rápida e muito eficiente, visto que o seu método já existe há quase dez séculos com inúmeras comprovações científicas sobre os seus resultados. Talvez somente a Idade Média tenha tirado bom proveito da solução dada em 2007 por Sarkozy: marca-se o ser humano, controla-se seus passos, colocando no seu corpo objetos que discriminam seu “pecado”, proíba-o de manifestar qualquer desejo (principalmente sexuais) e o exponha em praça pública por ordem do soberano na frente do povo que aplaude a atitude.
Sarkozy, eleito democraticamente pelos franceses, fala em nome da população que o elegeu. Suas propostas ainda se baseiam por aquela medicina urbana que “limpa” as ruas retirando os “problemas” sociais de circulação por ordem médica. Ou ainda, aquela medicina direcionada somente para os pobres, que se justifica pelo método estímulo-resposta: “dou-lhe liberdade, desde que seja controlada”. Afinal, em 2007, pode-se controlar o ser humano por rastreador. Quem sabe um GPS?
Outra alternativa, também muito conhecida, é o hospital. Funciona assim: constroe-se uma enorme estrutura, distante e isolada dos grandes centros urbanos, com muita tecnologia para exames e tratamentos especializados que justifiquem os gastos que certamente não serão poucos. Afinal, alguém conhece um hospital especializado somente em criminosos sexuais? Isso sim é novo! Daí, esse hospital se tornará uma referência judicial para expedir laudos e pareceres para o Estado que dirão se o “criminoso” está apto ou não a ter “liberdade”. Após a justiça, somente a medicina pode dizer. Após a medicina, somente a justiça de novo. Esse círculo nós conhecemos bem. Quando se está apto pela clínica, nem sempre está pelo direito. E assim vai.
Seguindo o lema francês: liberdade, igualdade e fraternidade: 1) Liberdade para escolher. No caso, o “pedófilo” irá optar: quero ser rastreado ou tratado no hospital? A igualdade francesa no acesso é assim: “tratamento diferente para todos, construa um hospital só para pedófilos!”. Por fim, a população agradece ao seu presidente pela medida de proteção à sua população. O clima de fraternidade se restabelece. As pessoas se orgulham pela atitude do seu soberano. Sentem-se protegidas nas ruas da cidade com suas crianças livres do suposto ataque de um pedófilo.
Mas, e o médico? Aquele que disponibilizou, por ato humanitário, um viagra ao paciente? Este sim, é o verdadeiro exemplo da saúde pública mundial. Para todos os males: um remedinho! Pedófilos, loucos, pobres, criminosos, doentes… um remédio sempre é necessário para anestesiar a dor que é conviver com esta sociedade doentia
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