A Culpa das Crianças
“Um horror!” Dizem os mais antigos. “É a barbárie!” Dizem os jornais. O fato é que a morte brutal de um menino de seis anos no Rio de Janeiro desencadeou um debate nos noticiários sobre a redução da maioridade penal.
É até engraçado como a coisa vem sendo tratada. Uma semana falando do mesmo assunto, com o mesmo tom: a brutalidade de uma violência sem limites se justifica em torno da redução da maioridade penal. Parece até que neste país tem presídio suficiente para todos os menores infratores que se tornarão “maiores presidiários”.
Outro dado importante é lembrar que também neste país a redução da maioridade que deveria existir é a redução da maioridade de nossa infinita exclusão social e nossos já incontáveis níveis de desigualdade. Esses dois indicadores já teriam até morrido de tantos anos de vida que tem… mais de quinhentos! Sem contar toda a complexidade que envolve grande parte das crianças e adolescentes (de todas as classes sociais) com a indústria do tráfico de drogas.
Esse debate parece aquela cena clássica de quem já teve um irmãozinho mais novo. “A culpa é dele”, todos nós já falamos isso um dia. Claro! Ele não pode se defender. Assim também os noticiários querem que tratemos nossos problemas sociais: colocando a culpa nas crianças!
A presidente do Supremo Tribunal Federal acertou em cheio nas suas palavras: “A questão da criminalidade é bem mais ampla do que endurecimento de pena e dos regimes prisionais. Dimensionar tudo isso no menor é uma atitude errada em relação à nossa infância que merece educação e oportunidade para que não caia no mundo do crime“, disse Ellen Gracie.
Enquanto isso, tenho de esperar esta semana acabar para Willian Waak colocar fim nessa agenda descabida e absurda.
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