O crescimento que “beneficia” os pobres
É Natal! Nada melhor do que abrir o site da Folha de São Paulo e ler que o crescimento econômico brasileiro tem beneficiado os pobres. A matéria traduz o resultado de uma pesquisa produzida pela FGV e aponta para o fato que a renda cresceu em índices muito superiores que a economia.
“A contradição entre o desempenho ruim do ponto de vista econômico e o bom desempenho do ponto de vista social é explicada pelo fato de, mesmo em período em que a economia patinou, o governo ter destinado mais recursos aos programas de combate à pobreza -que, na prática, aumentam a renda dos mais pobres. Os números podem ser olhados de outra maneira também: eles refletem a queda na desigualdade de renda brasileira, já que os pobres conseguiram, ainda que timidamente, reduzir o abismo que os separa dos mais ricos. [O pesquisador] ainda faz as contas para os anos de 2005 e 2006. Ele avalia que a melhora de distribuição de renda ocorreu, mas em velocidade menor do que a de, por exemplo, 2004. Em 2005, lembra ele, a renda dos mais pobres cresceu 8,5%, contra 6% da renda média“.
Que horror para a classe média! Terminamos mais um ano de governo com políticas sociais que beneficiam os pobres! A economia, coitada, não cresce! O país não se desenvolve porque ultimamente seu presidente tem cuidado muito bem dos pobres…
Parece que continuamos a enxergar os pobres como “as classes perigosas”. Existe uma “dúvida” se deve-se ou não manter políticas sociais que beneficiem os miseráveis. É perigoso distribuir renda neste país! Por isso, o Bolsa Família, embrião da renda universal, é considerado um “assistencialismo”.
A “economia patinou” como aponta Marcelo Billi, não porque não cresceu, mas porque os indicadores de crescimento econômico precisam ser revistos. A economia, medida pelos tradicionais padrões da indústria fordista, realmente estagnou. Entretanto, os processos de produção mudaram radicalmente. O olhar deve ser direcionado para o tipo de produção que hoje agrega maior valor. A crise do governo Lula está centrada no argumento da economia que não cresce; no entanto, é na unidade de medida que está a crise. Os paradigmas de análise precisam de revisão.
Quando a renda é distribuída e os abismos entre ricos e pobres são (mesmo que de forma tímida) diminuídos significa que estamos no caminho certo. Este é primeiro horizonte a se apontar para discutir sobre qual “crescimento” estamos falando. Os jornais demonstram a cada dia que neste país o crescimento econômico é uma obrigatoriedade, um direito, pois representa fazer valer o dinheiro dos seus cidadãos. Mas política social que atenda a classe pobre… Esta sim, continua a ser vista como um “benefício”.
Veja a matéria: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u113347.shtml
Antonio Negri: A constituição do Comum
O filósofo italiano Antonio Negri palestra sobre Império, Multidão e a Constituição do Comum. O evento contou com a presença do ministro da Cultura, Gilberto Gil.
Via: Blog da Universidade Nômade
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